PLANO DE RADIOPROTEÇÃO: MÉDICO, VOCÊ SABE QUAIS AS SÃO SUAS RESPONSABILIDADES?
Você conhece a importância de contar com um plano de radioproteção
para a sua clínica? Trata-se de um documento que contém todas as
diretrizes de segurança que devem ser seguidas por aqueles que
estão envolvidos no uso de equipamentos que emitem radiação.
Para os administradores responsáveis pelos estabelecimentos
médicos submetidos ao plano cabem algumas responsabilidades, como
por exemplo cuidar para que ele seja implantado de maneira
adequada — atendendo todas as normas e leis que regem a questão
radiológica —, além de verificar o real cumprimento de suas
diretrizes.
Pensando nisso, preparamos um post especial sobre o que não pode
faltar em seu plano de radioproteção. Se você, gestor, deseja
entender melhor qual o seu papel nisso tudo, continue lendo.
Descrição da equipe e instalações
Os dados cadastrais da instituição devem constar no documento.
Informações como razão social, CNPJ, endereço, nome do titular,
supervisor e substituto são fundamentais.
Também devem constar os dados de todos os colaboradores que
trabalham no setor que lida com os equipamentos de radiação
ionizante e os medidores de radiação e os medidores nucleares
devem ser descritos em tipo, modelo, série, certificado e fonte
incorporada.
A atividade principal do estabelecimento e as justificativas para
o uso de radiação ionizante também devem estar descritas e é
importante lembrar-se de manter todos esses dados sempre
atualizados. Quaisquer alterações, sejam elas relacionadas às
instalações da empresa, ao pessoal ou ao equipamento utilizados
precisam ser registradas no documento e a responsabilidade pelas
atualizações é do gestor.
Instruções de radioproteção
Para manusear os equipamentos radiativos é necessário tomar uma
série de cuidados. Tais medidas precisam constar no documento para
que possam ser colocadas em prática, já que de nada adianta contar
com o plano de radioproteção quando não se está disposto a seguir
suas diretrizes.
Essa disposição deve vir do ponto mais alto da hierarquia, que é o
responsável pelo setor. Caso algum acidente ou dano aconteça pela
falta de cumprimento das medidas de proteção, ele será a primeira
pessoa a ser responsabilizada. É por isso que faz parte das suas
atribuições treinar, capacitar e conscientizar as pessoas
envolvidas sobre a importância de zelar pela segurança de si
mesmas e também dos pacientes.
Dessa forma, com o detalhamento das medidas de segurança e uma boa
supervisão, é possível garantir o funcionamento correto do plano
de radioproteção.
Estimativa das doses anuais para emissão de radiação
ionizante
Já que estamos falando de um documento personalizado, emitido de
acordo com as características e necessidades de cada
estabelecimento de saúde, é importante lembrar que as doses de
radiação emitidas também precisam ser analisadas. Isso porque
existem diferentes classificações por nível de risco e essa é uma
informação fundamental para tomar as medidas de proteção
necessárias.
O responsável pelo departamento precisa acompanhar os testes de
medição desses níveis de radiação para garantir que a informação
correta conste no documento. Também é importante fazer a
conferência desses dados nos períodos designados, já que trata-se
de um fator que pode se alterar com o passar do tempo, com o
envelhecimento dos equipamentos.
Por falar nisso, a manutenção preventiva tem papel fundamental
nesse item. Muitas vezes, as doses de emissão aumentam devido a
problemas nos equipamentos, portanto, é preciso estar em dia com
as medidas de conservação.
Descrição de acidentes e medidas interventivas de emergência
Existem tipos de acidentes que são admissíveis — ainda que não
possam ser considerados normais — em sistemas que lidam com a
emissão de radiação ionizante. Esses eventos devem estar descritos
no plano, pois os acidentes que apresentam maior incidência em
sistemas similares devem ser considerados passíveis de ocorrência
e a árvore de falhas precisa ser projetada.
Entretanto, apenas conhecer as possibilidades de ocorrência não é
suficiente: você precisa saber ao certo como agir caso alguma
delas se torne realidade. Além disso, caso o seu sistema fique sem
operar por determinado período de tempo, é preciso ter um plano
para que exames e procedimentos urgentes não precisem ser adiados.
Como estamos falando em saúde e segurança das pessoas, é
importante saber exatamente como agir em qualquer uma dessas
ocorrências e tais ações também precisam constar no documento.
Garantia prática do que consta em documento
Conforme dito, acreditar que não há problemas em “agir fora do
script” em alguns pontos do documento, nem pensar! O gestor que se
responsabiliza pela emissão do mesmo deve também se
responsabilizar por tudo o que a lei julgar necessário para a
garantia da segurança em seu estabelecimento, afinal, essa é a
verdadeira função do laudo.
Ou seja, o gestor deve ser comprovadamente especialista em
Medicina Nuclear e estar disponível durante o horário de
funcionamento das instalações referentes a esse departamento. As
atividades desempenhadas devem ocorrer sob a sua supervisão e
orientação.
É por isso que ele precisa ser o primeiro a trabalhar para que
tudo realmente ocorra de acordo com o que é descrito em lei. O
plano de radioproteção serve para endossar tais premissas.
Cuidados e responsabilidades
Caso o estabelecimento conte com diversos setores que lidam com a
radiação, é importante designar responsáveis por cada um.
Entretanto, não basta simplesmente nomear qualquer profissional e
sentir-se isento das suas responsabilidades. Essas nomeações
tratam-se apenas de gestões secundárias, sendo o titular do
estabelecimento o principal responsável em qualquer situação.
Também é necessário designar substitutos para épocas de férias,
faltas ou licenças.
Um agravante muito comum é que o gestor da clínica pode sentir-se
sozinho em suas responsabilidades. Tal questão se torna um
problema se ele tiver dúvidas e anseios quanto à melhor forma de
colocar as premissas estabelecidas em prática.
Nesse caso, pode ser que o administrador precise de ajuda
profissional e, sendo assim, contar com uma assessoria
especializada em auxiliar na emissão do documento faz toda a
diferença.
Como vimos, o plano de radioproteção é necessário para todo
estabelecimento que lida com equipamentos que emitem algum tipo de
radiação ionizante. Entretanto, para que ele realmente cumpra seu
papel, é importante elaborá-lo corretamente e trabalhar para
garantir que suas premissas sejam colocadas em prática.
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colaboradores. Lembre-se de que você é, de certa forma,
responsável por eles.